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O PROJECTO

"O Homem está condenado a ser livre."

Jean-Paul Sartre (1905 - 1980)

 

No momento em que nasce, qualquer ser humano inicia um processo de perceção e de apropriação do mundo que o rodeia. É um processo que vai decorrer, com variantes, ao longo de toda a sua vida.

É a constante recolha de informações e de dados, mas é também o construir de uma explicação do mundo, do porquê das coisas e dos mecanismos que estão por detrás dos fenómenos e dos acontecimentos.

Porque chove e de onde vem a água que cai? De imediato surgem as mais diversas teorias. A muitas crianças poderão dizer que é S. Pedro que abre as torneiras do Céu. Para muitos seres humanos esta explicação ficou para toda a vida. Gradualmente, muitas crianças poderão aperceber-se que há fenómenos de evaporação da água à superfície da Terra e dai ao ciclo da água há um movimento de constante de perceção que se vai consolidando, gota a gota, até à última informação que permite uma visão global: o ciclo da água decorre ao longo de 150 anos.

A perceção do mundo que nos rodeia é, assim, um processo longo e constante, que se prolonga por toda a vida.

Para tal há que ter em conta duas vertentes:

1) Uma primeira vertente passa pelo desenvolvimento das capacidades humanas.

 

Uma criança ao nascer traz pernas, braços, pés, mãos, olhos e ouvidos e todo o seu corpo vai iniciar um processo de crescimento e desenvolvimento. 

Na passagem dos anos 50 para os anos 60, Benjamim Bloom liderou uma equipa de psicólogos que definiu três grandes dimensões do ser humano: a cognitiva, a emocional e a psico-motor. O olhar sobre o ser humano multiplica-se e nos anos 80, Howard Gardner, propõe oito formas de inteligência. Seja como for, na segunda década do séc. XXI, temos a consciência de que há múltiplas vertentes do ser humano que vale a pena desenvolver, seja qual for o paradigma a que se recorra. Ou seja, há capacidades a desenvolver. Desde há muitos séculos que se entendeu que seria vantajoso que muitas destas capacidades sejam desenvolvidas no seio de uma organização com uma misãso eãspecífica.  Uma organização que a partir de certa altura, na História da Humanidade se passou a designar de “escola”, uma palavra de origem grega, adotada por muitas línguas europeias.

2) Mas simultaneamente há uma outra problemática. A percepção do mundo dificilmente pode ser alcançada por cada ser humano sozinho. Na verdade, há um PCAH - Património de Conhecimentos Acumulados ao longo da História da Humanidade.

Portanto, sobretudo a partir de meados do séc. XX, considerou-se na Europa e um pouco por todo o mundo, que cada ser humano tem direito a apropriar-se deste PCAH. Mais: é desejável que esta apropriação seja feita de forma universal, por todos os elementos de uma comunidade humana. Se esta apropriação não for feita, corre-se o risco de haver perceções difusas e distorcidas do que se passa á nossa volta. Tradicionalmente é à escola que compete a transmissão deste património. O que não significa que a família, a comunicação social ou algum autodidatismo não possa contribuir para a apropriação deste património.

À nossa volta há, pois, um vento que sopra e que nos dá pistas acerca deste património de conhecimentos acumulados deste, pelo menos há 4000 anos, desde os povos da Mesopotâmia até ao último número de uma revista científica, publicada há dois minutos.

Mas este vento que sopra também nos dá conta daquelas que são as nossas capacidades, cujo conhecimento acerca destas mesmas capacidades se têm vindo a acumular ao longo das últimas décadas.

O projeto Ouvir o vento pretende fazer soprar algum vento que possa dar novas acerca destas capacidades humanas e de como as desenvolver. Mas também dar conta do mundo que nos rodeia, ou seja, da História do nosso planeta e da Humanidade que o habita.

E qual a utilidade destes conhecimentos acumulados, já que erudição não é sinónimo de sabedoria?

Os seres humanos terão surgido numa região específica do planeta e conseguido proliferar um pouco por toda a parte, graças a algumas capacidades muito próprias. Uma destas capacidades é a tremenda possibilidade que damos a nós próprios de antecipar, como recordaria Pierre Laplace a Napoleão.

Esta antecipação só é possível, com base numa perceção dos mecanismos em que se baseia tudo o que acontece á nossa volta. E antecipando, o ser humano consegue adaptar-se.

E é esta grande meta, a nossa plena adaptabilidade que nos pode conduzir à tão almejada liberdade a que todos nós parecemos condenados, nas palavras de Jean-Paul Sartre.

© Eduardo Rui Alves - novembro de 2020.

MIssão

  • Facultar aos cidadãos dos 9 aos 99 anos a capacidade de ouvir o vento, ou seja, percecionar toda a complexidade de fenómenos que à nossa volta ocorrem.

  • Potenciar em cada ser humano a capacidade de antecipar o seu futuro e como tal adaptar-se constantemente, tal como um rio se adapta às suas margens e faz as margens adaptar-se ao seu curso.

  • Fornecer dados que permita a cada um ouvir o vento e poder alcançar a Liberdade.

visão

Um projeto global, planetário, potenciador de todo e de cada ser humano na relação com tudo o que o rodeia.

valores

  • Alegria

  • Aprendizagem

  • Curiosidade

  • Rigor e Objetividade

  • Liberdade

Compromisso

  • Com cada ser humano

  • Com a Ciência como forma de validação do conhecimento

AUTOR

  • Eduardo Rui Alves

    • Especialista em Medicina Chinesa

    • Professor